A Gestão Empresarial
A GESTÃO EMPRESARIAL E O RELÓGIO DO CHAPELEIRO LOUCO
«É possível introduzir na gestão empresarial um encontro imaginário entre Heisenberg, o físico da geração de Einstein, Alice e o Chapeleiro Louco do conto escrito por Lewis Carrol “Alice no País das Maravilhas”.
- Que relógio engraçado é esse o seu que mostra o dia do mês e não a hora do dia, observa Alice.
- E porque deveria? — o Chapeleiro Louco resmungou. Por acaso o seu relógio diz o ano que é
- Claro que não, mas é porque o ano permanece o mesmo por muito tempo, responde Alice.
- É este exatamente o caso do meu, a hora custa a passar, disse o Chapeleiro.
Diante da interjeição de Alice, o físico Heisenberg esclarece.
- De fato, minha cara Alice, é impossível precisar sobre o funcionamento de qualquer coisa porque a sua constituição interna interfere e modifica as observações, seja qual for o instrumento (ou o relógio) utilizado.
- Mas isso somente acontece porque você observa as coisas como elas são e não como elas não são, mas que poderiam ser, retrucou Alice.
A conclusão de Alice encerra a essência da gestão empresarial “as coisas não precisam ser como são, elas podem ser como não são”. Nos últimos anos, cerca de sete milhões e meio de pessoas saíram da miséria e o crédito ao consumo passou de trinta e cinco bilhões de reais para cento e cinqüenta bilhões, um incremento de trezentos por cento. Poucos empresários perceberam o tanto que mudou, pois eles não acreditavam que as coisas podiam ser como não eram. E a condição para que isso seja verdadeiro é muito simples, basta o firme compromisso de querer mudar.
A partir desse conceito, a gestão empresarial pode se entendida em três partes constituintes: a organização das coisas que se quer, a eficiência alocativa dos recursos e o monitoramento dos processos de transformação.
(…)
A conclusão é que o diálogo entre Heisenberg, Alice e o Chapeleiro Louco não é tão imaginário quanto se pensa, pois ele se repete invariavelmente nas empresas que planejam mudar, que querem fazer a diferença, que pretendem ser referência no que fazem. Com certeza existem diferentes relógios: uns que concorrem com a noção de mudar e outros com a de falsear o que não mudou, de continuar a observar as coisas como elas são e não como elas não são, mas que poderiam ser. É preciso acreditar que as coisas podem ser diferentes e muita coisa já mudou.»
José de Moraes Falcão, Economista, texto original















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